Coordenadora da Gold, fala sobre a construção do X Manifesto LGBT e conquistas importantes de 2018
X Manifesto acontecerá no último domingo de março, dia 31.
Por Fernanda Couzemenco Século Diário.

A construção do X Manifesto LGBT de Vitória será retomada em 2019, na segunda reunião de elaboração, na próxima terça-feira (8), às 19h, na sede da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold), no centro de Vitória.

O X Manifesto acontecerá no último domingo de março, dia 31, a partir das 14h, no Sambão do Povo. Até lá, haverá reuniões semanais de elaboração conjunta, todas abertas ao público, a empresários e patrocinadores.

O tema deste ano será “Uma vitória contra o racismo, o machismo e a LGBTfobia”, numa “brincadeira” com o nome da capital e iniciativa de reunir outras lutas pelos direitos humanos. “É isso que a gente quer levar pra rua. Não adianta lutar contra a LGBTfobia se não lutar também contra o machismo e o racismo. A pessoa que é negra, que é travesti, que é periférica, sofre muito mais do que eu que sou travesti e sou branca. É preciso gritar isso. Tem que ir pra rua, vestir a camisa!”, convida a coordenadora da Gold, Deborah Sabará.

Reunindo, há dez anos, milhares de pessoas em locais públicos da cidade, o Manifesto LBGT tem, entre outras funções, o impacto de mostrar o tamanho da população de lésbicas, bissexuais, gays e transexuais, muito maior do que o percentual que se faz presente no ato. Além de politizar e tornar mais visível as bandeiras de luta.

“É o momento que você tem o microfone na mão, pra falar das políticas públicas, pra denunciar, pra sair das redes sociais, pra falar com os gestores, pras comunidades que recebem aquele ato, com os jovens, os adolescentes e seus familiares”, explica Deborah, rechaçando a crítica que se trata de um “evento pra beijar”. “O Manifesto levanta a chama da militância”, argumenta.

Conquistas

Deborah também é presidente da Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH), sendo a primeira travesti a ocupar o cargo. E destaca algumas conquistas de 2018, em nível nacional e estadual.

De Brasília, houve a retificação do nome de registro, a conhecida “mudança de nome”. “Essa foi sem dúvida a maior das vitórias”, afirma, destacando ser uma medida que beneficia a população trans, que é “a que mais sofre”.

“Essa população está à margem de todos os seus direitos e a retificação do nome resgata essa população”
Isso abre caminho para que homens e mulheres trans, incluindo as travestis, possam reivindicar os seus direitos em outros espaços, seja na unidade de saúde, na polícia, no comércio, no transporte público ou qualquer outro ambiente.

No Espírito Santo, os destaques foram a obrigatoriedade de utilizar o nome social nos boletins unificados da Polícia Civil e a inclusão do público LGBT em vários editais de financiamento da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), seja como temática de produções artísticas, sejam como produtores de projetos culturais.

Deborah também comemora a criação do Conselho Estadual LGBT. “Era a última peça que faltava pro conhecido tripé da cidadania”, diz, lembrando que já havia um plano de trabalho e uma pessoa LGBT para coordenar a sua execução.

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