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Comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Aracruz fala sobre número de homicídios e ações para reduzir esses crimes

O número de homicídios é alarmante e cada dia mais estão ligados ao tráfico de drogas. A Polícia Militar do município de Aracruz mantém um trabalho constante para reduzir esses números, além de outras ações para coibir o crime. Em entrevista para o Giro ES, nosso correspondente Vando de Souza conversa com o Comandante do 5º Batalhão, Tenente Coronel Anderson Loureiro Barboza que fala sobre as ações tomadas e os índices da criminalidade na cidade. 


Foi noticiado em outros meios que houve um aumento do número de homicídios em Aracruz. Quais as principais medidas que o Comando tem para diminuir essa estatística?


É um árduo e contínuo trabalho, cujo êxito só é alcançado se feito de
forma integrada com todos os atores envolvidos
No ano de 2017 foram contabilizados 47 Homicídios em Aracruz, um dos maiores números da história do nosso município. Este elevado número trouxe aos órgãos de Segurança Pública o desafio de em 2018 mudar este incômodo panorama de violência.

Estudos mostram que a violência tem uma origem multifacetária (muitas causas e origens) e o trabalho sobre ela é extremamente complexo e desafiador. Cremos, desta forma, que o enfrentamento ao crime e a violência não se faz sozinho. É um árduo e contínuo trabalho, cujo êxito só é alcançado se feito de forma integrada com todos os atores envolvidos, conversando, ouvindo, debatendo, criticando construtivamente, revendo estratégias, agindo “a muitas mãos”.

Foi com esta certeza que foi adotada então uma estratégia que se baseou em alguns pilares: trabalho integrado com os vários órgãos afins à Segurança Pública (Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Conselho Tutelar) e aproximação com os vários grupos que compõem nossa sociedade (comunidade, indústria, comércio, sociedade civil organizada, autoridades, educação e tantos outros).

Internamente foi realizado um trabalho de diagnóstico dos índices criminais e de produtividade, ampliação das operações policiais (abordagens qualificadas, saturação, blitz, “Lei Seca”, captura de criminosos com Mandado de Prisão em aberto), distribuição inteligente do efetivo conforme análises e estatísticas criminais, ações de cuidado e motivação da tropa Policial Militar, treinamento por intermédio de instruções e palestras mensais.

O resultado destas ações em 2018, com mérito devido a todos os órgãos envolvidos, foi a redução do número de Homicídios em Aracruz em mais de 38% se comparado com 2017, e redução de 15% se comparado com 2016, levando Aracruz a um dos menores patamares de Homicídios de sua história recente.

Outros índices criminais seguiram a mesma direção de queda. Um exemplo disso foram os Roubos, índice que apresentou em Aracruz uma redução de 22% se comparado com 2017.

O desafio de um ano posterior a um ano de tão relevante redução de índices criminais é: manter o ritmo de redução ou pelo menos igualar o mesmo número de incidentes.

Na contramão desta tendência, porém, o ano de 2019 iniciou mostrando-se desafiador. Nos dois primeiros meses do ano foi observada a ocorrência de 09 (nove) Homicídios a mais que no ano anterior, mobilizando mais uma vez as Forças de Segurança Pública.

A análise do panorama da segurança em nosso município nestes dois primeiros meses aponta a ocorrência do surgimento de um desequilíbrio da “harmonia” entre algumas organizações criminosas atuantes em nossa área. O agente potencializador deste processo tem sido a interferência de grupos criminosos da Grande Vitória, interessados em ampliar o domínio e área de atuação em Aracruz e região. Este fenômeno tem causado um ambiente de conflito entre estes grupos, gerando crimes contra a vida e crimes consequentes.

Assim como em 2017, diante de mais um momento de desafio, a estratégia tomada pela Polícia Militar tem sido dar continuidade às práticas exitosas de 2018, redesenhadas aos moldes do novo panorama criminal apresentado neste ano.

Esta estratégia, dentro de um trabalho integrado entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, já resultou na elucidação, detenção dos autores e a apreensão das armas de fogo usadas em alguns destes Homicídios, garantindo a devida punição.

A novidade verificada em 2019, com o novo Governo Estadual, é a execução da Política Pública de Segurança denominada “ESTADO PRESENTE”, lançado oficialmente em fevereiro. Embora esteja em seu início de execução, uma das primeiras ações implementadas foi a construção de um Plano de Ação focado nas áreas que apresentaram índices criminais desviantes, de forma a executar uma série de ações de enfrentamento para controle e redução destes índices.

O aumento dos Homicídios em algumas áreas de Aracruz o torna um importante laboratório para a execução desta nova Política Pública.

Entendemos que os desafios para este ano são grandes e ainda há muito a se melhorar, mas acreditamos que com a mesma integração e compromisso em servir e proteger a sociedade aracruzense, os bons resultados serão inevitavelmente alcançados.

Em todos os casos houve envolvimento com o Tráfico?

já se pode afirmar que a maioria ocorreu em decorrência do Tráfico de
Drogas ou teve o Tráfico de Drogas como agente potencializador.
A investigação de cada Homicídio está sendo feita de forma competente pela Polícia Civil, por intermédio da 13ª Delegacia Regional de Aracruz. As informações que chegaram até o momento a Polícia Militar, é que nem todos os Homicídios já possuem motivação confirmada, mas já se pode afirmar que a maioria ocorreu em decorrência do Tráfico de Drogas ou teve o Tráfico de Drogas como agente potencializador.

E como tentar solucionar se este câncer está chegando cada vez mais nos lares e na sociedade?

Esta não é uma pergunta simples de se responder, mas como dissemos, estudos mostram que a violência tem uma origem multifacetária. Sendo ela multifacetada (muitas causas e origens), há necessidade de que seja tratada de forma multidisciplinar, ou seja, utilizando-se de várias competências (família, educação, saúde, psicologia, inteligência sócio-emocional, igreja, etc.) para seu enfrentamento.

Dentro de uma explicação mais genérica e simplificada, deve-se ficar claro que quando chegamos ao ponto em que a Polícia deve agir, é porque em algum momento alguma destas competências foi falha na formação do indivíduo infrator. Esta falha faz com que esta pessoa, em um momento de estímulo, tome uma decisão errada, podendo ser classificada como um ato violento ou positivado em lei como crime.
O “antibiótico social” para isso pode ser: famílias estruturadas, educação de qualidade, saúde física/sócio-emocional/espiritual, igualdade social, lazer, cultura, oportunidade de crescimento,
dignidade, segurança e tantos outros componentes sociais.

Por estes motivos, dentro de uma sociedade madura, não há como cobrar das Forças Policiais a resolução de todos os problemas de segurança se estas mesmas Forças Policiais não possuem a capacidade de intervir sozinha na origem destes problemas. É como uma pessoa que está com febre alta devido um processo infeccioso. A infecção causa febre e a febre alerta o corpo que algo está errado. Sabemos que a febre deve ser combatida (senão o corpo convulsiona), mas o tratamento da febre não cura a infecção. Em outras palavras, a força da lei aplicada pelas Polícias apenas tratam a febre. O tratamento eficaz para a infecção vem do remédio adequado a isso, capaz de ir até a origem. O “antibiótico social” para isso pode ser: famílias estruturadas, educação de qualidade, saúde física/sócio-emocional/espiritual, igualdade social, lazer, cultura, oportunidade de crescimento, dignidade, segurança e tantos outros componentes sociais.

Cremos que isso sim é capaz de curar este “câncer que está cada vez mais chegando em nossos lares e sociedade”.

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