A produção de mel de abelhas sem ferrão (meliponicultura) faz parte de programa desenvolvido pela Suzano que visa resgatar práticas típicas dos indígenas e fortalecer a geração de renda nas aldeias

As comunidades indígenas Tupinikim e Guarani de Aracruz (ES) concluíram no mês de abril o período de colheita de mel nas aldeias. O projeto de meliponicultura (atividade de criação de abelhas nativas sem ferrão) é uma das atividades do Programa de Sustentabilidade Tupinikim e Guarani no Espírito Santo (PSTG), desenvolvido pela Suzano em parceria com o Cedagro – Centro de Desenvolvimento do Agronegócio e a Kambôas Socioambiental, que atende 1.385 famílias. Destas, cerca de 60 são participantes do programa de criação de abelhas sem ferrão e 45 realizaram, nesta última safra, a colheita do mel Tupyguá – marca sob a qual o produto é comercializado.

Na safra deste ano, encerrada em abril, foram colhidos 460 quilos de mel, superando a expectativa inicial que previa cerca de 360 quilos. O resultado pode ser atribuído ao aumento da produtividade que, neste ano, foi de 2,3 quilos por colônia (caixa de abelhas), contra 1,8 quilo por colônia nos últimos anos. Contribuíram para esse desempenho as condições ambientais favoráveis e o manejo, com a seleção das colônias consideradas mais fortes, segundo explica Jerônimo Villas-Bôas, coordenador de Meliponicultura do PSTG.

Existem atualmente nas aldeias participantes 150 colônias em produção e, de acordo com a consultora de Desenvolvimento Social da Suzano, Claudia Cristina Belchior, a cada safra as colônias são multiplicadas. Para a próxima safra a expectativa é ter pelo menos 400 colônias produzindo, o que equivale a 40% de um plantel de 1.000 colônias que se espera ter nas aldeias até o final de 2019.

Ela destaca a importância da atividade realizada nas aldeias indígenas. "A meliponicultura traz de volta abelhas já quase extintas na região, como as espécies uruçu-amarela, jataí e mandaçaia, além de atuar na polinização dos quintais e de ser importante fonte complementar de renda para as comunidades indígenas. A atividade contribui ainda para o fortalecimento do grupo, culminando na criação da primeira cooperativa de produtores indígenas do município, a Coopyguá, que comercializa o mel Tupyguá”, destaca Cláudia.

O preço do mel de abelhas sem ferrão varia de acordo com a forma como ele é comercializado, mas é um produto de maior valor agregado que o mel comum. A comercialização do mel Tupyguá é feita em três formas: mel a granel, no valor de R$ 120,00 o quilo; mel refrigerado (embalagem de 180 gramas), no valor de R$ 25,00 a R$ 30,00 a embalagem; e o mel maturado, no valor de R$ 20,00 a embalagem de 130 gramas. A safra deste ano deve render às famílias produtoras uma renda média extra de quase R$ 2 mil.

Um grande comprador do produto hoje, é o Instituto ATÁ, do chef Alex Atala, que busca agir em toda a cadeia de valor, com o propósito de fortalecer os territórios a partir da sua biodiversidade, agrodiversidade e sociodiversidade, a fim de garantir alimento bom para todos e para o ambiente e revende o mel Tupyguá no Mercado Municipal de Pinheiros, em São Paulo. O mel também é vendido a granel a chefs de cozinha e restaurantes, para uso como ingrediente em pratos especiais, e é comercializado em estabelecimentos da região de Aracruz. Para saber mais sobre o mel produzido nas aldeias de Aracruz a partir de abelhas sem ferrão, acesse www.tupygua.com.br.

O PSTG – O Programa de Sustentabilidade Tupinikim e Guarani (PSTG) é um conjunto de ações desenvolvidas pela Suzano que visa restabelecer entre os ocupantes das terras indígenas as condições ambientais necessárias às suas práticas socioculturais e à afirmação de sua identidade étnica, com atividades econômicas sustentáveis. Participam atualmente as aldeias de Areal, Irajá, Caieiras Velhas, Boa Esperança, Piraqueaçu, Amarelos, Três Palmeiras, Pau-Brasil, Comboios, Córrego do Ouro, Olho d´Água e Nova Esperança, todas em Aracruz.

A meliponicultura, uma das atividades do PSTG, tem a finalidade de resgatar algumas espécies de abelhas escassas e outras praticamente extintas nas aldeias indígenas da região. Nesta atividade, a Suzano fornece às famílias curso preparatório, que é condição para que recebam as caixas de abelhas, além de toda a assistência técnica para a produção. Cada família recebe, inicialmente, cinco caixas e todo o material necessário ao manejo, para que as colmeias fiquem fortes e sejam divididas, beneficiando, também, outras famílias interessadas.

O PSTG atua com base em quatro eixos: agroecologia, meliponicultura e fortalecimento de coletivos/artesanato e o Fórum/Demandas Coletivas.

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