Praia, sol, mar, famílias de folga e, infelizmente, muito barulho, confusão e prejuízos. Essa tem sido a realidade de quem decide passar as férias de verão na região de Enseada Azul, localizada no balneário de Guarapari, um dos principais destinos de turistas no Espírito Santo durante a estação. De acordo com a Associação de Moradores da Enseada Azul (Ameazul), que compreende as praias de Bacutia, Peracanga e Guaibura, a situação de caos tem sido recorrente e o temor é que volte a acontecer durante a época que se aproxima.

A denúncia feita pela Ameazul para a estação se dá a partir da constatação da situação defasada e desorganizada em que se encontra o ordenamento dos atrativos turísticos de Guarapari, responsável por grande parte da renda da população que mora no município e, sem dúvidas, de essencial preservação. “Saúde, poluição sonora, desrespeito a postura e ao meio ambiente não combinam com turismo de qualidade e muito menos com “Cidade Saúde”. Nossas praias da Enseada Azul, viraram “terra sem lei” com várias irregularidades e insatisfação dos frequentadores e moradores”, acrescenta Gilvan Cabreira, presidente da Ameazul.

Dentre as situações que têm causado cada vez mais desconforto aos banhistas e moradores está a instalação de enormes caixas de som livremente nas areias da praia, em altíssimo volume. Apesar da proibição, tendas loteiam livremente a areia, ambulantes irregulares são vistos comercializando alimentos sem o mínimo controle sanitário, além de canudos de plástico espalhados, cachorros fazendo suas necessidades, churrasqueiras acesas próximas à restinga, entre outros transtornos.

A situação se agrava ainda mais com a precarização do sistema de fiscalização do município. De acordo com a Ameazul, Guarapari possui apenas três fiscais de postura efetivos, responsáveis por fiscalizar mais de um milhão de frequentadores no verão, e não conta sequer com uma estrutura de Disque Silêncio profissional, algo comum em cidades com grande fluxo de pessoas e visitantes, como é o caso da região.

“No verão de 2018, presenciamos assaltos nas praias da Enseada Azul e até “baile do mandela” na areia da praia de Bacutia, com ostensiva utilização de entopercentes e álcool por alguns jovens, sem nenhum tipo de estado presente, no sentido de fazer respeitar as leis, além de ausência de fiscais da prefeitura, que deveriam fiscalizar e coibir junto com a Polícia Militar estes abusos e ilicitudes comportamentais, ambientais e relacionadas à postura,” conta Gilvan Cabreira.

Medo pode afastar turistas

Um vídeo viralizado no Youtube mostra uma briga entre frequentadores da praia de Bacutia com pessoas que haviam instalado uma caixa de som na areia com som alto. O incidente chegou a repercutir na imprensa nacional e obteve milhares de visualizações, sendo prejudicial para o turismo de uma das regiões mais frequentadas do Espírito Santo no verão.

E foi pensando em entender as demandas e reclamações da população que a Ameazul produziu, ao longo de 2019, o documento “Turismo: a Enseada Azul precisa evoluir”. O livro, que está sendo distribuído para órgãos oficiais do município, mostra a constante violação da Lei de nº 2.272, de 15 de maio de 2003, que tem por objetivo garantir o bem-estar público da população de Guarapari.

Em diversas páginas, a associação mostra o que acontece na região, na alta temporada, por falta de fiscalização e confirma que a grande maioria dos frequentadores da região é contra os abusos cometidos por alguns. O documento traz a lei na íntegra e coloca um apanhado de publicações e notícias de sites e jornais sobre o que vem acontecendo nas praias da Bacutia, Peracanga e Guaibura.

“O intuito da Ameazul é incentivar a prestação do serviço público de qualidade, pois cansamos de apenas reclamar. Agora, queremos colaborar nas soluções e acreditamos que, assim, podemos ter um verão tranquilo e convidativo para o grande volume de turistas que irá nos visitar mais uma vez”, completa o presidente Gilvan Cabrera.