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Morte do jornalista Gilberto Dimenstein alerta para tumor agressivo e silencioso

Câncer de pâncreas mata 11 mil pessoas por ano no Brasil. Maioria dos casos é diagnosticada em fase avançada, afirma especialista
Gilberto Dimenstein travava uma luta contra um câncer no pâncreas há nove meses.
Crédito: Bruno Santos / Folhapress

A morte do jornalista Gilberto Dimenstein por câncer de pâncreas, ocorrida no último dia 29, em São Paulo, trouxe um alerta para uma doença silenciosa e agressiva que, na maioria das vezes em que é diagnosticada, já se encontra em estágio avançado.

O premiado jornalista, que trabalhou por 28 anos no jornal Folha de S. Paulo, lutou contra o tumor durante 9 meses, com cirurgia e quimioterapia. Entretanto, a doença se alastrou para o fígado, agravando o quadro de saúde do jornalista, que tinha 63 anos.

No Brasil, a neoplasia vem aumentando e é associada a fatores hereditários e a fatores externos, como tabagismo, diabetes, obesidade, inatividade física e pancreatite (caso de Dimenstein).

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, a doença é o 13º tipo de câncer de maior incidência no país. De difícil detecção, sua taxa de mortalidade é alta, em função do diagnóstico tardio. No Brasil, é responsável por 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença.


Mortalidade no país

Foto: Nivaldo Kiister é radio-oncologista do IRV.
Crédito: Julia Terayama
Dados do Atlas de Mortalidade por Câncer mostram que no total foram 11.099 mortes por câncer de pâncreas no país, sendo 5.497 homens e 5.601 mulheres (os últimos dados disponíveis são de 2018). Em comparação com 2017, foram 10.754 óbitos, sendo 5.316 homens e 5.438 mulheres.

“O prognóstico de câncer de pâncreas é sempre muito reservado porque 75% dos casos já são diagnosticados na fase avançada. E quando é possível realizar uma abordagem cirúrgica, o risco da doença aparecer numa outra parte do corpo (metástase) é grande”, explica o radio-oncologista Nivaldo Kiister, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV).


Estilo de vida saudável

De acordo com o especialista, o melhor jeito de prevenir esse tipo de tumor é levar uma vida mais saudável, com alimentação equilibrada, sem fumar, sem beber e com uma rotina de exercícios.

O pâncreas é uma glândula que faz parte do aparelho digestivo. Ele fica atrás do estômago, na parte superior do abdômen, e tem como função produzir enzimas para a digestão dos alimentos, e insulina, hormônio que diminui o nível de açúcar (glicose) no sangue.

O adenocarcinoma é o tipo de câncer de pâncreas mais comum, com 90% dos diagnósticos. Alguns sintomas merecem atenção especial, como icterícia, urina escura, dores no abdômen e costas, cansaço e perda de peso e apetite.

Dentre os exames usados para diagnosticar a doença estão tomografia de abdômen ou ressonância magnética de abdômen.

“Câncer de pâncreas é na maioria das vezes tratado cirurgicamente, associado à quimioterapia e radioterapia, quando indicado. A radioterapia com finalidade pré-operatória, ou seja, para reduzir o tamanho do tumor e assim facilitar a remoção cirúrgica, excepcionalmente é indicada”, explicou Nivaldo Kiister.

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