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Moradores de Vila Velha descobrem câncer na língua durante pandemia

No Julho Verde, mês da campanha de conscientização sobre tumores de cabeça e pescoço, eles lutam para vencer doença silenciosa

Enfrentar um tumor na língua durante a pandemia de Covid-19 tem sido uma experiência desafiadora para o aposentado Paulo de Castro, 68 anos, e para o funcionário público Paulo Sérgio Torres Meinicke, 63 anos. Além de terem o mesmo nome e serem moradores de Vila Velha, eles descobriram a doença na quarentena: o primeiro após ir ao dentista. Já o segundo sentiu um caroço no pescoço e decidiu investigar. 

E é em plena campanha Julho Verde, de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço, que os dois xarás iniciam sua luta para vencer o tumor.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que anualmente surgem no Brasil 43 mil novos casos de câncer que envolvem as regiões da cabeça e pescoço. São considerados tumores dessa região os localizados na boca, língua, faringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal, seios paranasais, tireóide, esôfago, ossos e partes moles da região.


Foto: Anne Kiister é radio-oncologista. Foto: Julia Terayama/IRV

“É importante estar atento a sintomas como sangramento na mucosa oral, afta ou ferida que não cicatriza, rouquidão, dor ao engolir, um caroço que aparece no pescoço, dor de ouvido que não melhora, nariz entupido e sangramento nasal. Eles podem indicar a existência de tumor de cabeça e pescoço”, explica a radio-oncologista Anne Karina Kiister Leon.


Fumante há 50 anos

Paulo de Castro, que se aposentou como encarregado de almoxarifado, fumava há 50 anos. Ele descobriu o câncer em casa, após realizar um tratamento dentário para colocação de um implante, em que precisou extrair três dentes, na primeira quinzena de março. 

Com o início da quarentena, a família optou por ficar em casa e não levar o aposentado para retirar os pontos da boca, na esperança de que eles caíssem sozinhos. Mas Paulo de Castro começou a sentir uma nevralgia provocada por um fio de sutura. 

Foi quando a filha dele, a microempreendedora Fernanda Ramos de Castro, 40 anos, se propôs a realizar a tarefa de retirar esse fio e foi a primeira a perceber que havia uma lesão na parte de baixo da língua do pai, do lado esquerdo. 

Segundo ela, de abril até julho, esse tumor cresceu e por enquanto não é possível operar. O aposentado passará por 32 sessões de radioterapia no IRV combinadas com quimioterapia. Ao fim do tratamento, o médico irá avaliar se a cirurgia poderá ser realizada.

“Meu pai já não sai mais de casa e deixou de fumar. Quase não fala e usa um sino para se comunicar. Apesar de tudo, se alimenta bem e consegue engolir”, conta Fernanda.

"Quando eu vejo uma pessoa fumando na rua, me dá um gelo na minha barriga porque eu estou vivendo isso. A vontade é de dizer: pelo amor de Deus, larga esse cigarro!”, completa a microempreendedora.

A médica Anne Kiister explica por que cigarro e álcool são fatores de risco importantes para o surgimento de tumores na região da cabeça e do pescoço.

“O cigarro e o álcool atuam destruindo as células sadias. Eles conseguem alterar a divisão celular de forma correta. Com isso, geram essas mutações que, consequentemente, levam ao aparecimento do câncer”, pontua a médica.


Caroço no pescoço

Já Paulo Sérgio nunca fumou e descobriu que algo estava errado ao perceber um caroço no lado direito do pescoço. Ele esteve no dentista, que fez um raio X e não acusou nada. O funcionário público procurou um otorrinolaringologista, que pediu uma ultrassonografia que constatou a presença de uma lesão.

Paulo Sérgio foi encaminhado para um médico de cabeça e pescoço, e foi submetido a uma tomografia, que acusou uma lesão sublingual, sendo o caroço uma consequência dela.

“Não sinto dor, não sinto nada. Se o caroço não tivesse aparecido, talvez nem tivesse descoberto esse tumor. Vou passar por 35 sessões de radioterapia no IRV, e ainda farei quimioterapia”, disse Paulo Sérgio.

“Tumores de cabeça e pescoço têm um poder de divisão muito mais rápido. Por isso, quanto mais cedo for diagnosticado, maior a chance de cura”, afirma a médica Anne Kiister.

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