Assistência Social Marabá - PA
Seaspac: Agosto Lilás abre programação que marca 20 anos da Lei Maria da Penha
A Escola Municipal Anísio Teixeira foi palco, na sexta-feira 7, da abertura oficial da campanha Agosto Lilás de 2026. A cerimônia reuniu representa...
10/08/2026 11h03
Por: Redacão Fonte: Prefeitura de Marabá - PA

A Escola Municipal Anísio Teixeira foi palco, na sexta-feira 7, da abertura oficial da campanha Agosto Lilás de 2026. A cerimônia reuniu representantes da rede de proteção às mulheres, autoridades, profissionais de diferentes áreas e integrantes de movimentos sociais para marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.

Com o tema voltado à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher, a programação contou com composição de autoridades, momento cultural e palestras sobre os avanços proporcionados pela legislação e os desafios que ainda permanecem no combate à violência doméstica e familiar.

A escolha de uma escola para a abertura não foi por acaso. De acordo com a coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) e da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher (CEPPM), Francisca Daniele Rocha, a proposta também é levar a discussão para os espaços de formação e trabalhar a prevenção com as novas gerações.

“Este ano nós temos algo ímpar, que são os 20 anos da Lei Maria da Penha. Não poderíamos fazer diferente. Nossa programação é extensa e contempla ações na zona rural, escolas municipais e estaduais, além de outros espaços”, explicou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Francisca Daniele, coordenadora do CRAM e da CEPPM

Segundo ela, a programação do Agosto Lilás terá atividades em diferentes pontos de Marabá, incluindo Brejo do Meio, São Félix, escolas e instituições que integram a rede de proteção. Também estão previstos momentos com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Procuradoria da Mulher, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher e movimentos sociais.

Para Daniele, ampliar a prevenção é fundamental. “Nós entendemos que prevenção é tudo. Temos uma geração que está crescendo e se formando, e precisamos trabalhar para que essas pessoas conheçam a lei e saibam identificar as diferentes formas de violência contra a mulher”, destacou.

Trabalho em rede

A Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher atua na articulação da rede de proteção, acompanhando e fortalecendo as políticas públicas voltadas às mulheres. Já o CRAM é um dos serviços especializados que integram essa rede, realizando acolhimento, orientação e encaminhamentos para mulheres vítimas de violência.

“A violência não se vence sozinha. Nosso maior objetivo agora é trabalhar em rede, com transversalidade, unificando essa rede”, afirmou Daniele.

A secretária adjunta da Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac), Selma Vasconcelos Barbosa, também destacou a importância da atuação conjunta entre os órgãos municipais.

A Seaspac participa da rede de proteção por meio da Coordenadoria da Mulher e do CRAM, que realiza o primeiro atendimento e os encaminhamentos necessários às mulheres. Para Selma, a integração entre os serviços é fundamental para ampliar a proteção.

“Nós fazemos parte da rede de proteção através da Coordenadoria da Mulher e através do CRAM, que é o nosso órgão na ponta. É o órgão que acolhe as mulheres, faz aquele primeiro atendimento e os encaminhamentos. Para nós, é importantíssimo somar forças com o restante da rede de proteção pelo fim da violência contra a mulher em Marabá”, ressaltou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Selma Vasconcelos Barbosa, secretária adjunta da Seaspac

Conselho e participação social

A presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (Comdim), Gabriela Araújo, ressaltou que os 20 anos da Lei Maria da Penha representam um marco para a proteção das mulheres no país.

Segundo ela, a legislação passou por um processo de transformação ao longo das duas últimas décadas e se tornou uma das normas mais conhecidas pela população brasileira. Em Marabá, o Conselho atua na fiscalização e também na proposição de políticas públicas.

O Comdim possui composição paritária, com representantes do poder público e da sociedade civil. A estrutura permite que as demandas identificadas pelos movimentos sociais e pelas mulheres dos diferentes territórios do município sejam levadas para discussão e formulação de políticas públicas.

“O Conselho fiscaliza, mas também propõe. Ele busca entender e conhecer as demandas das mulheres de Marabá em diversos territórios, tanto no contexto urbano como no rural”, explicou Gabriela.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Gabriela Araújo, presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (Comdim)

Ela reforçou ainda que as ações do Agosto Lilás têm papel importante na conscientização e no incentivo à denúncia dos casos de violência.

Medidas de proteção

Entre os avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha está o fortalecimento de mecanismos de proteção às mulheres. Em Marabá, um dos serviços que atua diretamente nesse acompanhamento é a Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal.

O inspetor Roberto Lemos, coordenador da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Marabá (GMM), explicou que o serviço atua há sete anos no município acompanhando mulheres que possuem medidas protetivas determinadas pela Justiça.

Atualmente, a Patrulha acompanha cerca de 120 mulheres. Recentemente, o município também passou a utilizar o aplicativo ANA, ferramenta destinada a ampliar a proteção das mulheres consideradas em situação de maior risco.

“É um instrumento a mais de proteção, em que a mulher simplesmente vai clicar no botão e a localização e as informações dela serão encaminhadas, possibilitando uma atuação mais rápida”, explicou Lemos.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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inspetor Roberto Lemos, coordenador da Patrulha Maria da Penha da GMM

Segundo o inspetor, 15 mulheres já foram encaminhadas pela Justiça para instalação do aplicativo. A seleção considera aquelas que apresentam maiores fatores de risco.

O trabalho da Patrulha, porém, não se limita ao acompanhamento das vítimas. A equipe também busca atuar de forma preventiva junto aos autores de violência.

“A gente acaba prevenindo mais do que reprimindo. A repressão é o último caso, depois que ele não entende que é possível prevenir”, afirmou.

Informação como ferramenta de proteção

A assessora jurídica da Casa da Mulher Brasileira de São Luís, Renata Memória, participou da programação como palestrante e destacou que os 20 anos da Lei Maria da Penha também devem ser encarados como um momento de reflexão sobre os avanços e os desafios que ainda existem.

Segundo ela, a legislação criou instrumentos que permitem ao Estado agir na proteção das vítimas, como as medidas protetivas de urgência e a estruturação de serviços especializados de atendimento.

Renata também chamou atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento das mulheres sobre seus próprios direitos. Para ela, o desconhecimento sobre a legislação e sobre os mecanismos disponíveis ainda dificulta o rompimento do ciclo de violência.

“Temos uma caminhada longa. A lei já traz mecanismos para que essa mulher consiga se reconhecer e romper com esse ciclo”, afirmou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Renata Memória, palestrante

A assessora jurídica também defendeu que o enfrentamento da violência não deve se limitar à punição dos agressores. Para ela, é necessário investir em educação e prevenção, envolvendo escolas, famílias, poder público e toda a sociedade.

“Violência contra a mulher é complexo. Não é só o Estado, não é só punir. São todos os atores da sociedade, escolas, Estado e todos os poderes envolvidos nessa causa”, destacou.

Uma lei em transformação

Representando a Comissão das Mulheres da OAB do Pará, a advogada Tarita Cajazeira destacou a importância da participação das instituições na construção das políticas públicas de proteção às mulheres.

Para ela, a trajetória da Lei Maria da Penha demonstra que o enfrentamento da violência contra a mulher deixou de ser tratado como uma questão exclusivamente privada.

“A briga de marido e mulher, que antigamente ficava no âmbito doméstico, hoje é uma questão de responsabilidade do Estado”, afirmou.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Tarita Cajazeira, advogada e Representante da Comissão das Mulheres da OAB do Pará

Tarita também ressaltou que a legislação permanece em processo de transformação, com a ampliação dos mecanismos de enfrentamento e proteção.

Ao completar duas décadas, a Lei Maria da Penha se mantém como um dos principais instrumentos legais brasileiros de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Em Marabá, o Agosto Lilás busca transformar o marco dos 20 anos em ações de informação, prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção ao longo de todo o mês.

Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Isabelly Bastos

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