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RONDA POLICIAL: UMA HISTÓRIA INICIADA POR PIRUNGA E PIRUNGUINHA HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Por: Redacão Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
11/08/2026 às 16h55
RONDA POLICIAL: UMA HISTÓRIA INICIADA POR PIRUNGA E PIRUNGUINHA HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO
Fotos: Divulgação - Arquivo ZMP

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Há eventos e datas que ficam registrados para sempre pela sua importância histórica: descobrimentos, guerras, conquistas, fatos científicos e muitos outros. Todavia, no meio da comunicação, do rádio, especificamente, e em Feira de Santana, o programa Ronda Policial, quase ancião, é algo relevante que se deve a dois ídolos já desaparecidos: Francisco Almeida e Itajay Pedra Branca.

“Eu sou Pirunga e você Itajay, é Pirunguinha!” Esse diálogo, aparentemente sem sentido, ocorrido há quase 60 anos no Departamento de Esportes da Rádio Sociedade de Feira, no bairro dos Capuchinhos, marcou o início de uma história ímpar no rádio da Cidade Princesa. Nascia ali, no dia 26 de julho de 1967, uma quarta-feira, na ampla sala, segunda do lado esquerdo do corredor do ‘Palácio do Rádio’, como era chamada na época a moderna e imponente sede da RS, o mais importante e antigo programa do rádio local: Ronda Policial.

A conversa entre Francisco Ferreira de Almeida, o criativo Chico Caipira, que já tinha na sua bagagem a audiência de programas como “Acorde Sorrindo”, “A Hora do Galo” e “Assim Canta o Nordeste”, e o jovem narrador esportivo Itajay Pedra Branca poderia dar em nada, porque emissoras da capital e do sudeste do País já apresentavam programas policiais, mas deu certo! No dia 27 de julho, os acontecimentos policiais, que não eram muitos e, comparados aos que ocorrem atualmente, eram nada, estavam na mesa da sala de locução.

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Excelente datilógrafo, veloz e preciso nesse trabalho (não existia computador), Itajay ‘esticou’ ao máximo possível cada informação, mas o ‘milagre’ ficou por conta de Pirunga (nome e um arbusto da família da murta). Exímio imitador, Chico Caipira, no papel de Pirunga, completava a sólida leitura de Pirunguinha e até o ‘atropelava’ com falas e imitações que agradaram em cheio ao público. Telefone, na época, era privilégio de poucos, mas foram muitas as ligações: Ronda Policial passara no “vestibular” para a satisfação de Frei Aureliano de Grottamare, saudoso diretor da Pioneira. Aberta a trilha com absoluto sucesso, na verdade muito maior do que se poderia imaginar, o horário do meio-dia estava garantido. Os recursos técnicos disponíveis eram poucos para Júlio Soares e os demais operadores de áudio: Edson Fernandes e Nilton Hiroshi Watanabe, mas nem precisava! Pirunga preenchia os espaços com vozes dos focalizados, provocava risos com gagueira, citações hilárias e entrava em ação com a metralhadora (imitava com perfeição) quando era necessário.

Como quase nunca lia o texto antes da apresentação e às vezes se perdia na sequência da leitura de Pirunguinha, o criativo Pirunga ‘metralhava’, imitava uma velhinha, algumas personalidades da tevê ou colegas e tudo voltava ao roteiro. Ronda Policial tinha enorme audiência em vasta faixa do território baiano, chegando mesmo a superar programas do mesmo gênero de emissoras de Salvador. As autoridades policiais acompanhavam e tinham satisfação em relatar alguma novidade que ainda não tivesse chegado ao conhecimento da dupla. Quando não havia um fato de grande importância, Francisco Almeida criava situações. Mais de uma vez explorou inteligentemente declarações de alguém contra o programa, suscitando incontáveis manifestações a seu favor. Ouvintes faziam questão de ir à emissora para conhecer e estabelecer amizade com Pirunga e Pirunguinha. Interessante é que Francisco Almeida nunca revelou a razão de ter colocado o nome da dupla que ficou consagrada pelo público e que talvez tenha sido inspirado em alguma dupla caipira da época.

Perdurou durante 15 anos o sucesso do Ronda Policial na Sociedade. Pirunguinha deu lugar a Agnaldo Santos “Catengó” e a Paulo Alves, vindo da Rádio Bandeirantes. Depois, o programa migrou para a Rádio Cultura, Rádio Fundação Ide e Ensinai de São Gonçalo e Rádio Subaé, onde Chico apresentou o programa ao lado de José Henrique Cerqueira, novamente com grande audiência. Em 2006, Feira de Santana ficou sem Francisco Almeida, mas não perdeu a maior criação do ‘caipira’, o Ronda Policial, que continua vivo, já ‘idoso’, aos 59 anos, na Rádio Subaé AM, mas ainda vigoroso, com números extremamente positivos e a perspectiva de ainda viver muito nas vozes de Valter Vieira e Lucival Lopes. Em um tempo marcado pelo descartável, com o impressionante avanço tecnológico, o Ronda Policial, da distante década de 1960, é uma marca indelével da criatividade de Francisco Ferreira de Almeida, o saudoso Chico Caipira.

Por Zadir Marques Porto



Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA
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