
Fortalecer o letramento racial nas escolas, ampliar o conhecimento sobre as culturas africanas e valorizar a ancestralidade como parte da formação dos estudantes. Com essa perspectiva, a Prefeitura de Lauro de Freitas promoveu, nesta sexta-feira (21/8), o Seminário Internacional Conexões Brasil–África, no Instituto Federal da Bahia (IFBA). Coordenado pelas Secretarias Municipais de Educação (SEMED) e da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (SEMPADHIR), o encontro reuniu representantes de países africanos, pesquisadores, professores, gestores e estudantes em um amplo diálogo sobre educação, identidade, equidade e relações étnico-raciais.
O seminário proporcionou uma imersão em temas relacionados à memória coletiva, linguagem, território, cultura, ancestralidade e saberes tradicionais. Conferências, mesas de discussão e sessões temáticas promoveram o intercâmbio de experiências brasileiras e africanas, reforçando a importância de transformar os conhecimentos compartilhados em práticas que alcancem o cotidiano das escolas.
Para a secretária municipal de Educação, Tamires Andrade, promover uma educação antirracista exige ir além do discurso e inserir efetivamente o letramento racial no processo de ensino e aprendizagem. “O letramento racial deve estar presente em todas as etapas da educação. Lauro de Freitas é a primeira cidade do Brasil a ter História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena como componente curricular. Somos uma cidade de maioria negra, um celeiro de diversidade, cultura viva e histórias de resistência. Por isso, está gestão está construindo uma educação na qual os nossos estudantes se reconheçam, compreendam suas origens e fortaleçam o sentimento de pertencimento”, destacou.
Entre os participantes internacionais esteve presente o adido cultural da Embaixada de Angola no Brasil e diretor da Casa de Angola na Bahia, Luandino Carvalho. Para ele, encontros dessa natureza contribuem para desconstruir uma visão generalizada sobre o continente africano e permitem compreender a pluralidade de povos, identidades e manifestações culturais que o constituem.
“É muito importante promover esse conhecimento porque, de maneira geral, ainda se conhece pouco sobre a África. Somos 54 países, cada um com sua identidade, sua história e sua cultura. É preciso desconstruir essa ideia de uma África única e mostrar toda essa diversidade, que é muito rica e está profundamente ligada ao Brasil”, afirmou Luandino.
Ao longo da programação, as discussões reforçaram a educação como instrumento de valorização da identidade e de enfrentamento ao racismo, articulando conhecimentos acadêmicos, experiências culturais e saberes ancestrais. A iniciativa também evidenciou o papel da escola na formação de crianças e jovens capazes de reconhecer a diversidade presente no município e compreender as conexões históricas e culturais que unem Brasil e África.
Presente no evento a secretária da SEMPADHIR, Silvana Santana, destacou o papel da escola na construção do pertencimento e da identidade racial. “Precisamos começar pela sala de aula, para que nossas crianças conheçam suas origens, valorizem sua ancestralidade e saibam se autoidentificar. Este seminário é um passo importante para ampliar esse conhecimento e fortalecer uma educação comprometida com a igualdade racial”, afirmou.
O evento também abriu espaço para a valorização da produção literária e das expressões culturais de matriz africana. No foyer do auditório, os autores apresentaram suas obras ao público, enquanto uma exposição reuniu roupas e acessórios, como brincos, colares e pulseiras, inspirados em referências culturais e ancestrais africanas. A programação incluiu ainda uma experiência imersiva no Museu Virtual Origens, que utiliza recursos de realidade virtual e metaverso para conectar tecnologia, memória e saberes ancestrais, proporcionando aos participantes uma nova forma de conhecer e vivenciar essas referências culturais.









