Formação em Agricultura Urbana é concluída com apresentação de projetos-piloto das cidades participantes
Nos dias 24 e 25 de agosto, Vitória da Conquista sediou a etapa presencial da Formação em Agricultura Urbana para Lideranças Políticas nas Cidades ...
Por: RedacãoFonte: Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
26/08/2026 às 16h21
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Nos dias 24 e 25 de agosto, Vitória da Conquista sediou a etapa presencial da Formação em Agricultura Urbana para Lideranças Políticas nas Cidades Brasileiras. O encontro reuniu representantes de municípios baianos para discutir os desafios, os impactos e as experiências de Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) desenvolvidas nos territórios e, a partir dessas discussões, elaborar projetos-piloto direcionados às realidades de cada cidade.
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A formação integra a Estratégia Alimenta Cidades, voltada ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional nos municípios e à produção de alimentos saudáveis e sustentáveis nas cidades e em seu entorno. A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com a equipe do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) e com o apoio da Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos (SASHDS).
A etapa presencial concluiu a parte prática de um processo de formação iniciado de forma virtual em maio de 2026. Ao longo dos dois dias, representantes das delegações de Vitória da Conquista, Alagoinhas, Feira de Santana, Mascote e do Estado da Bahia receberam orientações da equipe do FGVces, conheceram experiências de agricultura urbana desenvolvidas em Vitória da Conquista e elaboraram projetos-piloto municipais, considerando as necessidades e particularidades de cada território.
Para a coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional da SASHDS, Karine Barros, o encontro possibilitou transformar os conhecimentos adquiridos em prática. “A formação representa uma oportunidade de desenvolver uma ação inovadora e prática, capaz de levar as cidades, individualmente, a um próximo nível de maturidade da agenda municipal de Agricultura Urbana e Periurbana”, destacou.
Segundo Edglênia Lopes, da Coordenação-Geral de Agricultura Urbana e Periurbana (CGAUP), da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do MDS, pensar estratégias de fortalecimento da agricultura urbana e periurbana é uma maneira de apoiar os municípios no fomento às políticas públicas de produção de alimentos saudáveis nas cidades. “A formação é uma estratégia para olhar para a fome, olhar para a insegurança alimentar, olhar para a potencialidade daquele território e construir saídas possíveis. Quando formamos gestores e servidores públicos para olhar para o território dessa maneira, possibilitamos que aquela cidade tenha mais ferramentas para enfrentar esse tipo de problema”, afirmou
A técnica do Núcleo de Inclusão Produtiva e Agroecológica do Programa Bahia Sem Fome, do Governo do Estado, Marina Cordeiro, destacou a importância da formação para a construção de conexões entre os municípios, alinhada à agenda estadual de Agricultura Urbana e Periurbana. “Essa formação é uma oportunidade de conhecer as experiências dos municípios, trocar estratégias e pensar como essas iniciativas locais podem dialogar com a construção de uma política estadual de Agricultura Urbana e Periurbana na Bahia, especialmente no processo de elaboração estadual do plano de Agricultura Urbana e Periurbana”, afirmou.
Experiências do município
Como parte da programação, os representantes dos municípios participantes visitaram a Horta Comunitária do bairro Jardim Valéria, uma das quatro hortas comunitárias do município. A iniciativa, que funciona há mais de 20 anos, alia a produção de alimentos saudáveis à geração de trabalho e renda. Os alimentos produzidos têm foco na subsistência dos agricultores, e a produção excedente é comercializada em feiras locais, movimentando a economia do entorno.
A coordenadora da horta, Maria Rodrigues, trabalha no espaço há duas décadas. Para ela, a horta representa uma fonte de renda e uma parte importante de sua trajetória. “Pra mim, a horta significa tudo. A gente prepara os canteiros, consome e vende a produção, e a terra retorna pra gente. É minha fonte de renda”, afirmou.
Além da horta, os participantes visitaram o Restaurante Popular de Vitória da Conquista, equipamento público de segurança alimentar e nutricional que facilita o acesso à alimentação adequada, principalmente das famílias em situação de vulnerabilidade social. O contato com a prática contribuiu para ampliar as discussões realizadas durante a formação, aproximando os participantes das possibilidades de aplicação da Agricultura Urbana nos territórios.
Apresentação dos projetos-piloto
Na etapa final da formação, os participantes apresentaram os projetos-piloto elaborados para os municípios. As propostas foram construídas a partir das características, demandas e potencialidades identificadas em cada território.
A pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, Maíra Bombachini, destacou o caráter colaborativo dos projetos. “A ideia não era apenas realizar uma atividade pedagógica, mas sim escrever juntos um projeto para o município. O nosso papel foi de contribuir para que os componentes das delegações pudessem planejar juntos um projeto que olha a agricultura urbana, não só como um projeto isolado, mas com uma estratégia estruturada. Afinal, a agricultura urbana é um instrumento potente de mudança de vida de várias pessoas”, concluiu.
Durante a elaboração, foram discutidas diferentes possibilidades para a Agricultura Urbana e Periurbana, que pode contribuir tanto para a segurança alimentar e nutricional como para a geração de emprego e renda e para o enfrentamento das mudanças climáticas, com a redução das ilhas de calor. A formação também abordou temas como agroecologia, acesso à terra e institucionalização da Agricultura Urbana como política pública. A criação de legislações municipais foi discutida como uma estratégia para estruturar e fortalecer as iniciativas, garantindo maior continuidade às políticas.
Para Taíse Ferreira, nutricionista da Secretaria de Desenvolvimento Social de Alagoinhas, os conteúdos abordados foram importantes para ampliar suas perspectivas de ação. “A formação nos deu a possibilidade de fortalecer as nossas pretensões. Com esse suporte pudemos entender para onde temos que ir, quais os caminhos temos que seguir e o que precisamos para desenvolver o projeto no nosso município, de acordo com as características de cada ator envolvido”, afirmou.
A construção dos projetos-piloto marcou o encerramento da formação e representa um primeiro passo para que as discussões realizadas durante os encontros possam se transformar em ações nos municípios participantes.
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