
Expressão cada vez mais popular em Curitiba, a dança sarro é tema da edição desta sexta-feira (28) do programa Arte & Cultura, da TV Assembleia. A atração recebe as dançarinas Rafaela Borges e Nicole Molinari, que integram o coletivo "Sarro Delas". Elas explicam a origem e a difusão da dança, gestada a partir da mistura de várias outras expressões e que tem como base a improvisação e o fluxo. O bate-papo com a jornalista Gisele Camargo vai ao ar às 13h, com reprise às 18h. O conteúdo também pode ser conferido no canal da emissora no YouTube.
"O sarro é uma dança, um movimento cultural, uma forma de lazer. É uma forma de se expressar. Em questão de movimento, é uma mistura, como qualquer outra dança, de diferentes danças que já existiam", considera Nicole. "Tem um pouquinho de shuffle, um pouquinho de rebolation, um pouquinho de vários ritmos que resultam num novo estilo de dança", complementa Rafaela. A dança possui diversas vertentes e modos de dançar — mais "travado", largado, relaxado, entre outros.
Apesar da popularização e da consolidação da dança na capital do Paraná, o sarro nasceu nas raves de São Paulo, segundo Nicole, que também atua como professora de sarro e pesquisa a expressão. Os primeiros registros do estilo datam do início dos anos 2000. "O sarro como a gente conhece hoje, a movimentação que vemos hoje na internet, nas festas, no centro, é de Curitiba. Ele se enraizou e se misturou com o que já existia aqui", pontua.
Durante a conversa, as dançarinas refletem sobre a marginalização à qual a sociedade submete o sarro, discriminação que se manifesta desde comentários pejorativos em vídeos publicados nas redes sociais até na atuação das forças de segurança, que decidem enquadrar os praticantes. "O sarro é entendido como dança de 'noia', de drogado, como uma dança de quem não tem futuro. Se você abrir os comentários de um vídeo de sarro, é assim: 'joga uma carteira de trabalho que ele foge', como se a gente não fizesse nada da vida", reflete Nicole. "E se você posta um vídeo de uma bailarina do Teatro Guaíra fazendo fouettés, comentam com emojis de palminha, dão parabéns. Qual é a diferença?"
"As pessoas não são muito adeptas a reconhecer culturas periféricas como culturas genuínas. O lazer não é visto como direito de todo cidadão. Independentemente de ser o lazer que vem da periferia ou da elite, ele permanece sendo lazer. [Parece que] só porque foi criado na periferia e é a gente que está dançando, [o sarro] não pode ser cultural nem ter um sentido político e social", complementa Rafaela.
A entrevista também percorre temas como a organização do movimento, o futuro da dança e o Projeto de Lei 727/2026, protocolado ainda neste mês na Assembleia Legislativa, que visa reconhecer o sarro como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Paraná. As dançarinas compartilham suas próprias histórias e experiências com a dança.
Onde assistir
O programa é exibido às sextas-feiras, às 13h, na TV Assembleia, no Canal 10.2. A entrevista pode ser conferida no canal da TV Assembleia do Paraná no YouTube, a partir do mesmo horário. A cada semana, a atração recebe grupos folclóricos, coreógrafos, maestros, diretores de museus, artistas plásticos, diretores e produtores de teatro, escritores e poetas para um bate-papo descontraído sobre o mundo das artes.
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