Deputado afirmou que trabalhadores terceirizados vivem sob insegurança diante de declarações sobre o fim da modalidade e defendeu a realização de concursos públicos como alternativa para ampliar a contratação efetiva
O deputado Fagner Calegário (União Progressista) manifestou, durante a sessão desta terça-feira (15), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), indignação com declarações do ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, sobre a possibilidade de acabar com a terceirização no Acre. Segundo o parlamentar, a proposta gera insegurança para milhares de trabalhadores que dependem desses empregos para sustentar suas famílias.
Calegário afirmou que os trabalhadores terceirizados exercem funções essenciais em áreas como educação, saúde e manutenção dos prédios públicos e que não podem ser tratados como responsáveis pelos problemas de gestão da administração pública.
“Hoje o trabalhador dorme com medo, porque não sabe se, a partir do ano que vem, vai ter trabalho. Nós estamos aqui tratando de pais e mães de famílias, de homens e mulheres que acordam bem cedinho e vão lá preparar as escolas, os hospitais, os prédios públicos”, declarou.
O deputado também questionou a utilização do período eleitoral para apresentar propostas que, segundo ele, podem atingir diretamente os trabalhadores. Para Calegário, qualquer discussão sobre redução de custos da máquina pública precisa considerar outras despesas e estruturas administrativas antes de colocar em risco postos de trabalho.
“Dizer que, para que as coisas melhorem, a saída é o desemprego, eu discordo. É no lombo do trabalhador, do pai de família, da mãe de família que acorda cedo e dorme tarde”, afirmou.
Ao abordar a necessidade de ampliar o quadro de servidores efetivos, Calegário ressaltou que não é contrário à realização de concursos públicos. Ele lembrou que a Assembleia Legislativa já discutiu e aprovou medidas relacionadas à convocação de cadastro de reserva e à autorização de novos concursos.
“Nós precisamos de concurso público? Precisamos, sim. Não somos contra. Muito pelo contrário. Toda vez que essa pauta entrou aqui, nenhum deputado foi contra a convocação de cadastro de reserva, a autorização de novos concursos públicos”, destacou.
O parlamentar, entretanto, defendeu que a transição para um quadro maior de servidores efetivos seja planejada e não resulte no desemprego imediato dos trabalhadores terceirizados.
Ao final do pronunciamento, Calegário pediu atenção aos trabalhadores diante das discussões sobre o futuro da terceirização no Estado. “Eu fico aqui, presidente, com a minha indignação, com o meu desabafo por essas mães, por esses pais, por esses homens e mulheres que trabalham pelo nosso estado. Pensem bem, porque amanhã pode ser ainda pior”, concluiu.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Agência Aleac