CIDADES Campo Grande - MS
Do aprendizado à renda: mãe atípica transforma artesanato em negócio
O que começou como uma atividade de lazer se transformou em uma oportunidade de geração de renda para Nora Souza, de 63 anos. Dona de casa e mãe at...
13/10/2026 10h07
Por: Redacão Fonte: Prefeitura de Campo Grande - MS

O que começou como uma atividade de lazer se transformou em uma oportunidade de geração de renda para Nora Souza, de 63 anos. Dona de casa e mãe atípica, ela encontrou no artesanato sustentável uma forma de desenvolver novas habilidades e complementar o orçamento familiar após participar de uma oficina gratuita oferecida pelo Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), no Centro Comunitário do Bairro Buriti.

A história de Nora é um exemplo de como as oficinas de economia criativa e circular promovidas pelo FAC podem contribuir para a autonomia financeira e a descoberta de novos talentos. Até o momento, mais de 300 pessoas em situação de vulnerabilidade social já tiveram acesso gratuito à formação em artesanato sustentável, com foco no reaproveitamento de materiais e na geração de renda.

“Todo mundo é capaz de produzir alguma coisa, seja na culinária ou no artesanato. Só precisa ser estimulado e motivado a descobrir sua capacidade. Os cursos e oficinas do FAC têm essa intenção”, explica a presidente do FAC, Adir Diniz.

As atividades são conduzidas pela professora Maria do Carmo, que acumula mais de 25 anos de experiência no setor. Durante as aulas, as participantes aprendem técnicas de artesanato sustentável, bordado e costura, além de conhecer conceitos de economia criativa, economia circular, empreendedorismo, cooperativismo e geração de renda.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

Muitas alunas chegam sem experiência ou sem acreditar no próprio potencial. Com o avanço das atividades, porém, o interesse inicial em encontrar uma ocupação prazerosa dá lugar à satisfação de produzir as próprias peças e à possibilidade de comercializá-las.

É o que aconteceu com Nora, que já vendeu diversas criações e tem novas encomendas. Entre os produtos confeccionados por ela estão as angels de times de futebol, peças que conquistaram clientes e abriram espaço para novas oportunidades de negócio.

“Eu já vendi e tenho encomendas das angels de time. Levei uma do Corinthians e fez sucesso na Associação de Mães de Pessoas com Deficiência (Amade). Tenho duas encomendas do Palmeiras, uma do São Paulo e uma do Flamengo. Já vendi todas as minhas renas. É um lucro que entra para eu comprar as coisas para o meu filho, que é autista. Fazendo uma rendinha extra, tenho como comprar”, conta.

Para a professora Maria do Carmo, acompanhar essa transformação é uma das principais recompensas do trabalho. Segundo ela, o aprendizado vai além das técnicas artesanais e contribui para fortalecer a confiança das participantes em suas próprias capacidades.

“O objetivo é fazer com que elas se capacitem e se descubram. Elas não se acham capazes e depois se surpreendem, dizendo: ‘Fui eu que fiz!’. Elas nunca se imaginaram fazendo”, relata.

Sustentabilidade, criatividade e geração de renda

Além de incentivar o empreendedorismo, as oficinas do FAC estimulam práticas sustentáveis por meio do reaproveitamento de materiais que, muitas vezes, seriam descartados. Roupas sem condições de uso, caixas de leite e suco, embalagens e rolos de papel higiênico, por exemplo, podem ganhar novas funções e se transformar em peças artesanais.

A proposta está alinhada aos princípios da economia criativa e circular. Enquanto a economia criativa valoriza a inovação e a capacidade de transformar ideias em produtos, a economia circular busca prolongar a vida útil dos materiais, reduzindo o descarte e o impacto ambiental.

Uma peça de roupa que já não pode ser utilizada para vestir, por exemplo, pode servir como matéria-prima para o artesanato sustentável. Dessa forma, materiais que seriam encaminhados para aterros sanitários ganham uma nova utilidade, contribuindo para um consumo mais consciente.

Em Campo Grande, a economia criativa também representa uma oportunidade de desenvolvimento econômico. Feiras e eventos dedicados ao setor reúnem artesãos e empreendedores, ampliam a visibilidade dos produtos e ajudam a fortalecer a comercialização de peças produzidas de forma sustentável.

Nesse cenário, as oficinas gratuitas do FAC cumprem um papel importante ao unir capacitação, consciência ambiental e geração de renda, oferecendo às participantes a oportunidade de descobrir habilidades, conquistar novos clientes e transformar o aprendizado em possibilidades concretas de autonomia financeira.