
Acolher a história de vida e as singularidades do paciente, indo além da abordagem puramente clínica, é uma das premissas que orientam o trabalho da equipe de Psicologia na ala de Saúde Mental do Hospital Regional de Palmeira dos Índios (HRPI). O setor conta atualmente com 14 leitos disponíveis para atendimento especializado, integrando a assistência psicológica às demais especialidades hospitalares durante todo o período de internação.
A estrutura permite que o tratamento do sofrimento psíquico ocorra de forma integrada. Nesse ambiente, a Psicologia atua para oferecer um espaço seguro de escuta, incentivando que o paciente expresse sentimentos e participe ativamente das decisões sobre o seu processo de reabilitação.
De acordo com a psicóloga clínica Jilvaneide Inácio, as rotinas de acompanhamento combinam atendimentos individuais e atividades lúdicas. O objetivo é ajudar a pessoa internada a elaborar o momento pelo qual passa, fornecendo também subsídios para que a equipe multidisciplinar ajuste as condutas terapêuticas.
“O trabalho envolve desde o diálogo até dinâmicas lúdicas, para que o paciente encontre meios de se expressar e compreenda melhor o que está vivenciando. Olhamos para o indivíduo em sua totalidade, sem reduzi-lo ao diagnóstico”, destaca a profissional do Hospital Regional de Palmeira dos Índios.
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Suporte familiar e reinserção social
A assistência estende-se aos familiares e à rede de apoio desde a chegada do paciente à unidade. O acompanhamento busca aliviar a sobrecarga emocional que costuma atingir os parentes e alinhar as orientações necessárias para quando houver a alta. A ideia é preparar o terreno para um retorno seguro ao convívio comunitário, respeitando o ritmo e as necessidades de cada indivíduo.
Internado há mais de duas semanas na ala, o paciente A.L.S. (que teve a identidade preservada) conta que as conversas diárias com os profissionais vêm mudando sua percepção sobre o futuro. “Sei que cometi um erro, mas recebi uma segunda chance e, graças ao apoio das conversas, consegui enxergar isso. Hoje vejo a vida de outro jeito e me sinto mais seguro”, relata.
Para a supervisora de Psicologia do HRPI, Luana Barbosa, o depoimento reflete uma prática livre de julgamentos. “A humanização na unidade se traduz em atitudes concretas de respeito e atenção à história de cada pessoa. Na Saúde Mental, nosso foco vai além de amenizar sintomas: buscamos preservar a dignidade, incentivar a autonomia e garantir a continuidade do cuidado mesmo após a saída do hospital”, pontua.
Ao unir escuta técnica, participação da família e articulação com a rede de saúde pública, a equipe do HRPI trabalha para que o período de internação seja um ponto de virada, permitindo ao paciente reconhecer suas potencialidades e retomar sua rotina com mais estabilidade.

