
Médicos que atuam nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Araçatuba participaram, na quinta e sexta-feira, dias 22 e 23 de outubro, de uma capacitação sobre amiloidose cardíaca. A atividade reuniu 43 profissionais da Atenção Básica, no UniSALESIANO, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a doença e contribuir para a identificação precoce de casos na rede municipal de saúde.
A capacitação foi conduzida pela médica Giovanna Lesse, especialista em Cardiologia e Miocardiopatias, de São José do Rio Preto. Durante a capacitação, foram abordadas as manifestações clínicas da doença, os sinais de alerta e os recursos disponíveis para investigação e diagnóstico. O grupo foi dividido em duas turmas.
O que é a doença?
A amiloidose é uma doença sistêmica caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais, chamadas amiloides, em diferentes tecidos e órgãos, como coração, rins e nervos. Quando atinge o coração, pode comprometer seu funcionamento e provocar insuficiência cardíaca, falta de ar, inchaço nas pernas e arritmias. O comprometimento dos nervos pode causar formigamentos, dificuldades para caminhar e outras alterações neurológicas.
Segundo a médica Giovanna Lesse, a variedade de manifestações dificulta o reconhecimento da doença, pois os sintomas podem ser confundidos com os de outras condições e tratados de forma isolada. Embora seja considerada rara, a amiloidose é subdiagnosticada, o que reforça a importância de preparar os profissionais para suspeitar da doença diante de determinados sinais clínicos.
“Primeiro, o médico precisa lembrar que a doença existe”, destacou a especialista ao explicar a proposta da capacitação. A identificação de manifestações que, em conjunto, possam indicar amiloidose é uma etapa importante para encaminhar o paciente à investigação adequada.
Diagnóstico e tratamento
A avaliação começa pela análise dos sintomas e do histórico clínico do paciente. Conforme a suspeita, podem ser solicitados exames iniciais, como eletrocardiograma, ecocardiograma e exames laboratoriais, seguidos de testes específicos para confirmar ou descartar a doença.
A especialista também ressaltou os avanços nos métodos diagnósticos. Em casos de amiloidose cardíaca por transtirretina, a cintilografia com pirofosfato pode permitir o diagnóstico que antes era feito apenas por biópsia cardíaca.
Outro ponto destacado durante a capacitação foi o acesso ao tratamento. O tafamidis é um medicamento utilizado no tratamento da amiloidose cardíaca por transtirretina e, conforme explicou a médica, passou a ser disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) neste ano, no alto custo.
Fortalecimento da Atenção Básica
Para o médico coordenador assistencial da Zatti Saúde, Dr. Fábio Barreto Sabatin, a capacitação dos médicos da Atenção Básica busca ampliar a capacidade de identificação de sinais de alerta já no primeiro contato do paciente com a rede pública de saúde. Por acompanharem a população e terem contato direto com diferentes queixas e manifestações clínicas, esses profissionais desempenham papel importante na suspeita inicial de doenças que podem apresentar sintomas variados.
“A iniciativa integra as ações de qualificação profissional voltadas ao fortalecimento da rede municipal de saúde, contribuindo para aprimorar o reconhecimento de doenças subdiagnosticadas e o direcionamento dos pacientes para investigação e tratamento”, explicou.

