
Aos 11 meses de vida, o pequeno Isaías Miguel Lima da Silva enfrentou um desafio que exigiu cuidado especializado, acompanhamento multiprofissional e uma cirurgia cardíaca. Após apresentar dificuldade respiratória, ele foi encaminhado ao Hospital da Criança, em Maceió, onde permaneceu internado por cerca de um mês. Durante a investigação do quadro, uma avaliação cardiológica identificou uma cardiopatia congênita, condição presente desde o nascimento.
Depois da confirmação do diagnóstico, Isaías foi transferido para o Hospital do Coração Alagoano, unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e referência na assistência cardiovascular pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde fez o procedimento cirúrgico indicado para corrigir a alteração.
“A cirurgia, graças a Deus, ocorreu com sucesso. Estamos aqui, ainda na UTI, no processo de ir para casa”, relata a mãe, Gislane Lima da Silva, emocionada com a recuperação do filho.
João Cumaru, pediatra do Programa Estadual de Cardiopediatria, explica que Isaías apresentava persistência do canal arterial. Essa condição é uma alteração onde uma estrutura importante para a circulação sanguínea durante a vida fetal permanece aberta após o nascimento.
“Normalmente, o bebê nasce e esse canal se fecha a partir do momento que começa a respirar, nas primeiras 24 ou 48 horas. Em algumas crianças, esse canal não se fecha”, especificou o médico do Programa Estadual de Cardiopediatria.
Durante a gestação, o canal arterial permite a passagem do sangue entre grandes vasos, contribuindo para a circulação fetal, já que a oxigenação ocorre pela placenta. Quando permanece aberto após o nascimento, pode provocar alterações no fluxo sanguíneo, aumentando a circulação para os pulmões e sobrecarregando estruturas do coração.
A repercussão depende do tamanho do canal e das condições de cada criança. Entre os sinais que podem estar associados à alteração estão dificuldade respiratória, cansaço durante as mamadas e dificuldade para ganhar peso. A avaliação médica e exames como o ecocardiograma ajudam a confirmar o diagnóstico e a definir a conduta adequada.
No caso de Isaías, a equipe de Cardiopediatria identificou a necessidade de correção cirúrgica por meio da ligadura do canal arterial. O procedimento foi realizado com sucesso, sem intercorrências, e o bebê permanece sob acompanhamento da equipe, apresentando boa evolução clínica.
“Ele está evoluindo bem, já no processo para poder em breve receber a alta e seguir o acompanhamento com a Cardiopediatria em nível ambulatorial”, destaca João Cumaru.
Cuidado que acolhe toda a família
Durante a internação, o cuidado oferecido pela equipe também fez diferença para Gislane, que destaca a dedicação dos profissionais e o apoio recebido ao longo do tratamento do filho. “Só tenho a dizer muito obrigado a cada um em sua profissão, que sempre está ali dedicado, 100% fazendo o melhor pelos nossos filhos, dando aquele apoio emocional”, pontua.

