
A ampliação da presença feminina nos espaços de liderança da indústria e o fortalecimento de redes de apoio entre mulheres foram temas centrais da mesa-redonda Elas Lideram a Indústria Baiana, realizada na noite desta terça-feira (27), em Vitória da Conquista. O encontro aconteceu na Unidade Integrada do Sistema FIEB, na Avenida Olívia Flores, e reuniu lideranças empresariais, representantes de instituições e mulheres que atuam em diferentes setores da economia.

A prefeita Sheila Lemos participou da discussão e ressaltou a importância de iniciativas que apresentem referências femininas e incentivem outras mulheres a ocupar posições de liderança, especialmente em um setor historicamente marcado pela presença masculina. “Na indústria, ainda são poucas as mulheres que estão à frente dos negócios. Quando a FIEB traz essas mulheres para Vitória da Conquista, incentiva outras que também querem participar desse mundo. Infelizmente, ainda é um ambiente muito masculino, e precisamos mostrar às mulheres que é possível: elas podem fazer o que quiserem e ser o que quiserem”, destacou a prefeita.
Sheila também enfatizou que a presença de mulheres em posições de destaque pode abrir caminhos para outras profissionais. “A mulher que está em um posto de liderança precisa incentivar outras mulheres a também alcançar esses espaços. Por isso, parabenizo a FIEB pelo evento Elas Lideram a Indústria Baiana. É muito importante trazer exemplos de mulheres que estão à frente dessas indústrias para incentivar cada vez mais outras mulheres”, afirmou.

Prefeita Sheila Lemos
Presidente do Comitê da Mulher na Indústria (CMI) da FIEB, Eunice Habibe compartilhou experiências de sua trajetória profissional e os desafios enfrentados para conquistar espaços de liderança em ambientes predominantemente masculinos. Engenheira de formação, ela iniciou a carreira como empregada no setor industrial, na área petroquímica, e posteriormente decidiu empreender no segmento de vestuário.
Ao longo dessa trajetória, Eunice passou a atuar também na representação empresarial. Em 2010, ingressou na diretoria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia e, posteriormente, tornou-se a primeira mulher a presidir o sindicato das indústrias de vestuário do estado.
A experiência contribuiu para que ela percebesse a importância de ampliar a participação feminina nas entidades representativas e nos espaços de decisão. Essa mobilização também esteve entre as motivações para a criação do Comitê da Mulher na Indústria, que busca aproximar mulheres empreendedoras e executivas e fortalecer sua atuação no setor. “Fui entendendo que era importante trazer outras mulheres. O ambiente é muito hostil, e temos muitos desafios para empreender. Precisamos de conhecimento, capacitação, apoio e redes de contato, uma rede de apoio de verdade”, ressaltou Eunice.
Para a presidente do CMI, a ampliação da participação feminina não deve ser tratada como uma disputa entre homens e mulheres, mas como uma oportunidade de construir relações mais equilibradas. “O nosso processo não é lutar contra os homens. É fazer entender que estamos juntos, que não precisamos estar em uma condição inferior. Podemos caminhar lado a lado”, afirmou.
Vice-presidente da FIEB, Renata Müller também destacou a importância de criar oportunidades para que mulheres que já ocupam posições de liderança compartilhem suas experiências e incentivem outras profissionais. Ela lembrou que a própria trajetória foi marcada pelo apoio de mulheres que abriram portas e a encorajaram a seguir adiante.
Renata é a primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Federação das Indústrias do Estado da Bahia em seus 76 anos de história. Com 20 anos de atuação na indústria e formação em Direito, ela ressaltou os desafios de construir uma carreira em um setor tradicionalmente masculino. “Eu não tenho dúvida de que o que me traz aqui é porque tive mulheres que abriram portas e me encorajaram a não desistir. É isso que busco fazer na posição em que estou, com outras mulheres. Costumo defender que mulher puxa mulher e que a mulher precisa se identificar com outras mulheres nesse papel de liderança”, declarou.

