
A 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) encerrou sua programação em Salvador nesta quarta-feira (28), após dois dias de atividades no Parque Tecnológico da Bahia. Com o tema “Ciência Delas”, o evento reuniu estudantes, pesquisadores e professores em uma programação voltada à divulgação científica e ao incentivo à presença feminina nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. As ações da SNCT seguem em diversos municípios baianos. A lista completa de atividades está disponível no site ba.gov.br/secti/snct.
Entre as atrações estiveram as atividades de robótica do BuzuTec, ônibus itinerante do Serviço Social da Indústria (SESI), e as ações educativas do caminhão da Neoenergia, com recursos de realidade aumentada, projeção mapeada e simulações de consumo de energia. O público também participou de oficinas de criação de jogos digitais, construção de foguetes e experimentação científica.
Para Fernando Didier, coordenador de robótica da Rede SESI Bahia, as experiências práticas ajudam os estudantes a desenvolver o raciocínio lógico e a compreender o processo de pesquisa. “Na robótica, os estudantes aprendem a identificar problemas, testar soluções e avançar a partir dos erros. Isso favorece o pensamento computacional e contribui para a aprendizagem. Mesmo que a experiência não determine uma escolha profissional, eles saem com outra visão e passam a considerar novas possibilidades para o futuro”, afirmou.
O contato com equipamentos científicos também faz parte do programa Mais Ciência nas Escolas da Bahia, que atende 92 unidades de ensino no estado. Segundo Thaís Santos, produtora de conteúdo do programa, os materiais disponibilizados aos clubes de ciências incluem estações meteorológicas, telescópios e impressoras 3D, selecionados de acordo com as necessidades de cada escola.
“É importante oferecer esse contato, principalmente às meninas, que nem sempre têm acesso a espaços de tecnologia e inovação. Ao conhecer esses recursos, elas podem descobrir interesses que não faziam parte de seu cotidiano. É uma semente que plantamos, mostrando que também podem ocupar esses lugares”, destacou Thaís.
A participação feminina também esteve no centro de rodas de conversa sobre representatividade, formação científica e os desafios enfrentados por mulheres nas áreas de exatas e tecnologia. Palestrante no encontro “Elas nas Exatas: trajetórias e contribuições à Ciência”, a professora Cristina Elyote, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), apresentou a experiência do projeto Elas Não Exatas, do qual participa desde 2017. A iniciativa desenvolve pesquisas e atividades de extensão com escolas para divulgar as contribuições femininas à ciência e estimular meninas a seguir carreiras científicas.
“É muito importante mostrar às meninas o que as mulheres já produzem na ciência e fazer com que elas se enxerguem nesse espaço. Muitas estão em uma fase de decisão sobre o futuro e iniciativas como essa podem despertar o interesse e fortalecer o sentimento de pertencimento. Não significa que todas seguirão a carreira científica, mas elas passam a conhecer novas possibilidades”, afirmou Cristina.
A estudante Emily Figueiredo, de 19 anos, participou da programação pelo SENAI de Alagoinhas e conheceu projetos de robótica, sustentabilidade, programação e automação. Interessada em engenharia, ela contou que a visita reforçou seus planos profissionais e destacou a presença de iniciativas voltadas a questões sociais.
“Uma das principais coisas que vim conhecer foi a inovação em diferentes setores, desde a área de jogos até a criação de automóveis. Também vimos projetos de robótica voltados para a sustentabilidade e soluções desenvolvidas por estudantes para o mercado baiano. Foi interessante conhecer tantas possibilidades”, contou.
Emily também acompanhou uma roda de conversa sobre um aplicativo voltado ao registro de possíveis abusos e situações de violência contra mulheres. “Eu já pretendia seguir uma área ligada à engenharia, à programação ou à automação, e conhecer esses projetos de perto reforçou esse interesse. Também achei importante ver a segurança das mulheres sendo discutida por meio da tecnologia, com iniciativas que podem contribuir para enfrentar problemas reais”, afirmou.
A 23ª SNCT na Bahia conta com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), do Parque Tecnológico da Bahia, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Instituto Federal da Bahia (IFBA), do TLD Hub Tech, da Secretaria da Educação (SEC), da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de suas unidades no Rio de Janeiro e na Bahia, do Instituto Anísio Teixeira (IAT), do SENAI CIMATEC, da Neoenergia Coelba, do Gamepólitan, do Sebrae e do Sesi, além de outras universidades e institutos.
Fonte: Ascom/Secti

