
O vereador Sergio Nogueira (PP) esteve nesta quarta-feira (28) na sede da Energisa Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, acompanhado de Moacir Roza, presidente da Associação de Moradores do Parque Alvorada, para cobrar providências diante das constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica em Dourados. Eles foram recebidos por Giovani Moura, assessor institucional da concessionária.
Como encaminhamento da reunião, a Energisa informou que realizará um estudo para avaliar o problema e buscar medidas para melhorar a estabilidade do fornecimento na região. Durante a conversa, foram mencionados fatores como árvores próximas à rede, ventos fortes, descargas atmosféricas, tempestades e possíveis efeitos associados ao fenômeno climático El Niño.
A cobrança ocorre após meses de mobilização dos moradores do Parque Alvorada, que procuraram diferentes órgãos em busca de uma solução. A comunidade protocolou reclamação no Ministério Público em março de 2025 e apresentou um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas, além de registrar demandas junto à Energisa, ao Procon e a outras instâncias.
“Nosso objetivo é obter respostas concretas. A população precisa saber quais são as causas das interrupções, quais medidas serão adotadas e em que prazo. Vamos acompanhar esse estudo e cobrar os resultados”, afirma Sergio Nogueira.
Dados do Ministério Público apontam falhas em equipamentos
A discussão também envolve informações reunidas no Inquérito Civil nº 06.2025.00001008-1, conduzido pela 10ª Promotoria de Justiça de Dourados para apurar a qualidade do fornecimento de energia elétrica.
O despacho do Ministério Público, assinado em outubro de 2026, apresenta dados de interrupções registradas entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024. Nesse período, falhas de material e equipamento foram associadas a 19.634 interrupções, equivalentes a 44,48% do total analisado. Já as ocorrências atribuídas a árvores ou vegetação somaram 2.950 registros, aproximadamente 6,68%.
Os números reforçam a importância de investigar as causas técnicas das ocorrências, além de considerar fatores climáticos. O despacho também registra irregularidades identificadas em fiscalizações e determina novas diligências relacionadas ao plano de melhoria da concessionária.
Os dados abrangem o período e o conjunto de ocorrências analisados no procedimento e não identificam, isoladamente, a causa de cada interrupção nos bairros de Dourados. Por isso, o estudo anunciado pela Energisa deverá contribuir para esclarecer as condições específicas da rede que atende a região.
Instituições relatam prejuízos e interrupções frequentes
Além dos moradores, instituições de ensino e outras organizações formalizaram reclamações sobre os problemas no fornecimento de energia.
A UNIGRAN encaminhou o Ofício nº 023/2026 ao vereador, relatando interrupções e oscilações que atingem especialmente o Jardim Universitário e bairros adjacentes. Segundo a Reitoria, as ocorrências prejudicam atividades acadêmicas e administrativas e comprometem equipamentos e sistemas tecnológicos. A instituição solicitou providências técnicas e um cronograma para a solução do problema.
A UNIFRON, localizada no Parque Alvorada, também pediu a intermediação parlamentar junto à concessionária. No Ofício nº 017/2026, a faculdade relata prejuízos operacionais, perda de equipamentos e dificuldades na execução de serviços devido às interrupções recorrentes.
A instituição anexou um relatório de mensuração de energia elétrica elaborado por engenheiro eletricista, com medições realizadas entre 22 de março e 2 de abril de 2026. O documento registra que, no período monitorado, não foram identificadas evidências de sobrecarga contínua no sistema de medição da unidade. Também aponta danos em dispositivos de proteção contra surtos e equipamentos eletrônicos compatíveis com surtos de tensão associados a descargas atmosféricas nas proximidades ou a perturbações conduzidas pela rede de alimentação.
O relatório relaciona danos a equipamentos e dispositivos de proteção e recomenda a abertura de protocolos junto à concessionária para verificação do sistema de distribuição e análise das ocorrências. A UNIFRON informa que, mesmo após uma equipe da Energisa verificar a rede, as quedas continuaram acontecendo.
A Escola Municipal Aurora Pedroso de Camargo também encaminhou solicitação de providências. De acordo com a diretora Tânia Aparecida de Miranda Rezende, as quedas frequentes no Parque Alvorada prejudicam as atividades em sala de aula e os trabalhos administrativos e pedagógicos da unidade.
Outra manifestação foi apresentada pelo Mosteiro Santa Maria dos Anjos, das Irmãs Clarissas, localizado no Parque Alvorada. Em ofício dirigido à presidência da Energisa em 26 de outubro, a comunidade religiosa relatou que as interrupções afetam momentos de oração, atividades de trabalho e o funcionamento de equipamentos elétricos e eletrônicos. O documento solicita investigação e solução para as ocorrências que atingem o mosteiro e a região.
Gabinete acompanhará os próximos passos
Sergio Nogueira garante que continuará acompanhando as providências anunciadas pela Energisa e buscará informações sobre as conclusões do estudo, as medidas previstas e os prazos de execução.
A expectativa é que a análise identifique as causas das interrupções nos circuitos que atendem os bairros afetados e estabeleça ações para melhorar a continuidade e a segurança do fornecimento.
“A demanda, que começou com a mobilização dos moradores do Parque Alvorada, ganhou dimensão regional diante dos relatos de instituições de ensino, escola municipal e comunidade religiosa.
O próximo passo será acompanhar o estudo anunciado pela concessionária e cobrar resultados efetivos para a população de Dourados”, enfatiza Sergio Nogueira.

