
A história da menina Laís Machado Celoni e a decisão de sua família de doar os órgãos da menina deram o tom da cerimônia realizada nesta quinta-feira (24), no Salão Azul do Paço Municipal. Os relatos de solidariedade e as lembranças de Laís emocionaram o público.
No encontro, a Prefeitura de Araçatuba apresentou a Lei nº 9.122, de 2 de setembro de 2026, que institui o Dia Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos — Lei Laís Machado Celoni. Participaram autoridades, profissionais da saúde, pessoas ligadas à doação e aos transplantes, além de familiares e amigos da família.
A mesa da cerimônia foi formada pelo prefeito Lucas Zanatta e pela primeira-dama, Priscila Zanatta; pela vice-prefeita, Nice Zucon; pela secretária municipal de Saúde, Lucila Bistaffa; pelo provedor da Santa Casa de Araçatuba, Éverton Santos; e por Aline Adriane Machado Celoni, mãe de Laís.
Os enfermeiros Cristiani Jesus dos Santos e Matheus Araújo Tonon, da Equipe Hospitalar de Doação para Transplante (E-DOT) da Santa Casa, falaram sobre o processo de doação e a importância de levar informações claras à população.
A lei estabelece o dia 27 de setembro como data anual de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, em sintonia com o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A data passa a integrar o Calendário de Eventos da Cidade e se soma às políticas públicas já existentes no município.
Ao fim da cerimônia, Aline conduziu uma atividade simbólica: os participantes escreveram palavras em folhas artificiais e as penduraram na “Árvore da Vida”, em referência às vidas que podem continuar por meio da doação.
Informação, diálogo e acolhimento
A lei tem caráter educativo e informativo. Busca ampliar o conhecimento sobre a doação para transplantes, incentivar conversas entre familiares e fortalecer ações de conscientização.
A doação é voluntária. A legislação não obriga ninguém a ser doador: a decisão depende da vontade da pessoa e do diálogo com a família. Cabe ao Poder Público oferecer informações oficiais e fundamentadas para que a população possa conhecer o tema e conversar sobre ele.
Entre as diretrizes estão o combate à desinformação, a cooperação com hospitais, instituições de ensino e entidades da sociedade civil, além do acolhimento e da orientação às famílias doadoras.
O prefeito Lucas Zanatta destacou a responsabilidade do município em promover informação e diálogo:
“A Lei Laís Machado Celoni estabelece uma responsabilidade para a gestão pública: promover informação, conscientização e diálogo sobre a doação de órgãos e tecidos; criar condições para que as pessoas conheçam o tema, compreendam sua importância e possam conversar com suas famílias sobre a intenção de ser doador.”
A secretária de Saúde, Lucila Bistaffa, ressaltou a importância de orientar a população com clareza e respeito e de preparar os profissionais para acolher as famílias:
“A doação de órgãos envolve informação, acolhimento e diálogo familiar. A lei reforça a necessidade de orientar a população com clareza e respeito, além de apoiar a qualificação dos profissionais de saúde para o atendimento às famílias.”
A lei também prevê que o Poder Executivo possa promover campanhas, palestras, seminários e ações comunitárias; disponibilizar materiais informativos em unidades e repartições públicas; firmar parcerias; e divulgar conteúdos educativos nos canais institucionais. Também incentiva a capacitação de profissionais de saúde em comunicação, acolhimento e orientação às famílias.
As iniciativas devem se integrar a programas e políticas já existentes, respeitando a disponibilidade orçamentária e a legislação vigente, sem criar estruturas ou despesas desnecessárias.
À memória de Laís
Laís tinha 3 anos quando morreu, em junho de 2025. Após a confirmação da morte encefálica, seus pais, Aline Adriane Machado Celoni e João Paulo de Oliveira Celoni, decidiram doar seus órgãos. O coração e os rins da menina foram destinados a transplantes e beneficiaram três crianças.
Desde então, Aline tem compartilhado a história da filha e falado sobre a doação de órgãos, especialmente a doação infantil.
A mobilização é uma forma de manter viva a memória de Laís e de ajudar outras famílias a conhecer como a doação pode salvar vidas.










